Religião

29/05/2017 | domtotal.com

"Mortos por ódio à fé", relatam sobreviventes do ataque no Egito

Massacre dos coptas é resposta ao discurso do Presidente al-Sisi.

Mosteiro de São Samuel, o Confessor, em Maghagha, era o destino dos cristãos assassinados.
Mosteiro de São Samuel, o Confessor, em Maghagha, era o destino dos cristãos assassinados. (AP)

“Homens com o rosto coberto ordenaram às pessoas para renegarem sua fé. Todos recusaram e então foram mortos com um tiro na cabeça”.

É o que relata um dos sobreviventes do ataque de sexta-feira (26/05) contra um grupo de cristãos que viajava de ônibus para o Mosteiro de São Samuel, a cerca de 200 km do Cairo.

O atentado – que provocou 29 mortes, entre as quais crianças, reivindicado por terroristas do autoproclamado Estado Islâmico. O governo egípcio confirmou que 13 feridos permanecem internados em estado grave no Cairo e em Minya.

Não abjuraram da fé

Esta versão foi confirmada por outros sobreviventes, que revelaram como os atacantes ordenaram aos viajantes para descerem do ônibus, afirmando a eles que teriam suas vidas poupadas caso se convertessem ao Islã. Mas os cristãos – afirmam as testemunhas – “preferiram morrer, dizendo-se orgulhosos em se manterem fiéis à própria fé”.

Antes de abrir fogo – contou uma jovem hospitalizada – os terroristas, que vestiam uniformes militares, obrigaram todas as mulheres a entregarem seus pertences.

Também uma criança de seis anos falou daqueles trágicos momentos, em que a jovem mãe, para salvá-lo, o escondeu embaixo de um banco, cobrindo-o com um saco.

Papa Francisco

Ao se solidarizar com o Patriarca Tawadros II e o povo egípcio após a oração do Regina Coeli no último domingo, o Papa Francisco referiu-se às vítimas do ataque como “mártires”: “Que Deus acolha na paz estas testemunhas corajosas, esses mártires, e converta os corações dos terroristas”, afirmou.

Os funerais de algumas das vítimas foram celebrados na Catedral de Minya, localidade nas proximidades  de onde ocorreu o ataque.

Aviação egípcia bombardeou campos de treinamento na Líbia

Os autores do ataque ao ônibus – dizem as autoridades – haviam sido treinados na Líbia. Como represália, a força aérea egícia bombardeou campos jihadistas próximos à Derna, nas horas que se seguiram ao atentado.

“O Egito não hesitará em bombardear campos de treinamento de terroristas, onde quer que se encontrem”, afirmou o Presidente do Egito, Abd al-Fattāḥ al-Sīsī.

Há meses que o braço egípcio do EI passou a atacar a minoria cristã copta, também com atentados suicidas, como aconteceu no Domingo de Ramos, quando dois terroristas se explodiram em igrejas em Tanta e Alexandria.

Massacre dos coptas é resposta ao discurso do Presidente al-Sisi

“O massacre de cristãos coptas foi uma resposta dos terroristas ao discurso feito pelo Presidente egípcio Abdel Fattah al-Sisi na conferência dos Estados Unidos e o mundo árabe, realizada na semana passada na Arábia Saudita”: essa a convicção do Pe. Rafic Greiche, sacerdote greco-católico e responsável pelas comunicação dos Bispos do Egito, comentando o massacre perpetrado no último dia 26 de maio, por uma dezena de jihadistas na localidade de Minya, no sul do Egito e que causou a morte de 29 pessoas, entre as quais crianças.

Fundamentalismo e radicalismo

“Foi um discurso muito forte e franco contra o fundamentalismo e o radicalismo”, explica Pe. Greiche. “Penso também – acrescenta o sacerdote – que os terroristas tentam dividir a população egípcia semeando divisão entre cristãos e muçulmanos. Até agora não conseguiram isso, pois a população está unida ao rechaçar a violência”. 

Cristãos expulsos

Segundo Pe. Greiche – “os terroristas têm um objetivo a longo prazo: expulsar os cristãos do Egito, assim como o fizeram no Iraque, onde logo depois de conquistar Mossul, o Estado Islâmico expulsou todos os cristãos”. A mesma coisa aconteceu na Síria, no Sudão, e agora estão tentando fazer no Egito, país que possui a primeira comunidade cristã do Oriente Médio e a maior comunidade islâmica do mundo árabe. 

“Os cristãos do resto do mundo podem nos ajudar primeiramente com a consciência. Depois, não permitindo que o radicalismo religioso e o terrorismo islâmico se instaurem em seus países. É preciso promover um discurso religioso moderado não só no Egito, mas também na Europa: nas mesquitas europeias há Imames que fazem discursos radicais e fomentadores. Enfim, ajudem-nos a fazer com que nossos fiéis possam ter acesso a mais instrução”, conclui Pe. Greiche. 


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