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05/11/2019 | domtotal.com

Guia supremo do Irã reafirma oposição ao diálogo com os EUA


O guia supremo do Irã, Ali Khamenei, reafirmou neste domingo sua oposição a qualquer diálogo com Washington, na véspera do 40º aniversário da ocupação da embaixada americana em Teerã.

"Quem vê nas negociações com os Estados Unidos a solução de todos os problemas certamente está errado", disse Khamenei, de acordo com sua conta oficial no Twitter.

"A constante oposição às negociações com os Estados Unidos é um dos instrumentos importantes do Irã para impedir que se estabeleçam em nosso amado país", afirmou.

"Essa medida ditada pela lógica proíbe os Estados Unidos de se filtrarem novamente no Irã. É uma prova do poder e do Irã e mostra que o poder (dos Estados Unidos) não passa de uma ficção", continuou ele.

"Discutir com os americanos não levará a nada, porque é sabido de antemão e sem dúvida que isso não levará a nada", insistiu Khamenei.

"(Os Estados Unidos) dizem: parem (de intervir no Oriente Médio), não tenham mísseis, e no final dirão: parem de insistir no uso do véu islâmico" pelas mulheres. "Suas exigências não têm limites", acrescentou.

Segundo o guia supremo, "os americanos falsificam a história e afirmam que o conflito" com o Irã "resulta da tomada da embaixada americana" em Teerã em 4 de novembro de 1979.

"Não! Isso começou com o golpe de Estado de 1953, quando os Estados Unidos derrubaram o governo (do primeiro-ministro Mohamad Mosadegh) e estabeleceram um governo corrupto sob seu comando", segundo a conta de Khamenei no Twitter.

Antes de Mossadegh ser derrubado nesse golpe de Estado promovido pelos Estados Unidos e pelo Reino Unido, o primeiro-ministro havia nacionalizado a Anglo-Iranian Oil Company, que se tornaria British Petroleum (BP) após sua destituição.

Em 4 de novembro de 1979, menos de nove meses após a queda do último xá do Irã, um grupo de estudantes apoiadores da Revolução Islâmica invadiu a embaixada dos EUA em Teerã, então descrita como "ninho de espiões" pelos apoiadores do aiatolá Khomeini, fundador da República Islâmica.

Para libertar os reféns, os estudantes exigiram que os Estados Unidos extraditassem o xá para ser julgado no Irã.

A crise terminou 444 dias depois, após a morte do xá no Egito e a libertação de 52 diplomatas americanos.

As relações diplomáticas com os Estados Unidos, rompidas na época, nunca foram restauradas.

Há vários meses, a tensão entre Teerã e Washington aumentou, após a retirada dos Estados Unidos do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano, concluído em 2015, com o objetivo de infligir "pressão máxima" sobre a República Islâmica.

O presidente dos EUA, Donald Trump, que acusa o Irã de querer se dotar da arma nuclear - algo que Teerã nega - retirou seu país desse pacto em maio de 2018, unilateralmente, e restabeleceu sanções significativas contra o país.





AFP

EMGE

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