Religião

26/12/2016 | domtotal.com

Arcebispo caldeu defende direito de defesa de cristãos diante do Estado Islâmico.

'Quando você trata um câncer, tem que usar medidas infelizes' - responde arcebispo ao ser indagado se é correto matar membros do EIIL.

Cerca de mil fieis iraquianos participaram da Missa de Natal e da consagração da nova Catedral.
Cerca de mil fieis iraquianos participaram da Missa de Natal e da consagração da nova Catedral. (AFP/ Safin Hamed)

Irbil –  "Quando você trata um câncer, tem que usar medidas infelizes", afirmou o Arcebispo católico caldeu de Irbil, Dom  Bashar Warda, interpelado por um jornalista da BBC se era correto matar membros do chamado Estado Islâmico.

"Eles nos consideram blasfemos e infiéis -  continuou ele - se recusam a negociar, recusam o diálogo, recusam o nosso direito de existir – não nos consideram como um ser humano e tentam nos exterminar. Que outra opção você teria para terminar com a violência deles?".

O Arcebispo foi aplaudido na Catedral de São José, em Irbil, ao fazer estas mesmas afirmações diante de cerca de mil fieis iraquianos que participaram da Missa de Natal e da consagração da nova Catedral.

A Missa – celebrada na língua caldeia, próxima ao aramaico - foi animada por um coral de homens e mulheres vestindo um uniforme creme, contrastando com as vestes vermelhas e brancas das crianças que assistiram Dom Warda que presidiu a celebração.

O novo altar da Catedral de São José contém pedaços de pedra que o Arcebispo Bashar recuperou dos altares de duas igrejas que foram destruída em dois povoados cristãos perto de Mosul. O templo tem novos murais em vermelho e dourado, retratando a infância de Jesus com Maria e José.

Maria - Mariam em árabe – é venerada de forma toda especial na região. Jesus também é venerado no Islã, assim como Maria, sua mãe.

Há 11 anos Bashar Warda era pároco em Bagdá da Igreja de São Elias, localizada bem ao lado de uma mesquita xiita. Não era difícil encontrar mulheres muçulmanas  rezando diante de uma imagem da Nossa Senhora no pátio da Igreja, relata o jornalista da BBC, que também visitou uma escola primária mantida pela igreja local, frequentada por mais de 400 crianças cristãs e muçulmanas (60% e 40%, respectivamente).

“Não há educação religiosa – explicou Dom Warda - apenas aprendemos a viver juntos, estudar juntos, aceitar uns aos outros". "É a maneira iraquiana de viver juntos".

As violências que se seguiram nos anos seguintes minaram profundamente este percurso iraquiano de convivência inter-religiosa. Vários sacerdotes foram mortos - um decapitado e esquartejado.

O Arcebispo anterior de Mosul morreu depois de ser sequestrado, e um Padre em Bagdá foi sequestrado e libertado apenas com o pagamento de um resgate.

A Al-Qaeda no Iraque e o Estado Islâmico mataram centenas de cristãos e obrigaram milhares a deixar as suas casas com a roupa do corpo.

Mesmo diante desta situação o Natal de 2016 trouxe esperança e algum alívio para milhares de cristãos iraquianos. Várias de suas cidades e aldeias ao redor de Mosul foram libertadas dos ocupantes do Isis.

O novo altar da Catedral de São José contém pedaços de pedra que o Arcebispo Bashar recuperou dos altares de duas igrejas que foram destruída em dois povoados cristãos perto de Mosul.

A missa de consagração em Irbil foi seguida por fogos de artifício e um bolo, também para festejar a nova cruz vermelha colocada no alto do templo – com o coral cantando uma melancólica canção nostálgica - Auld Lang Syne - em árabe.

Uma das frases da canção diz: "Nossas vozes se elevam em um doce acorde para agradecer ao Senhor".


Rádio Vaticano



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