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07/04/2017 | domtotal.com

Governo sírio tem "total responsabilidade" por ataque dos EUA, diz Otan

Ação foi represália ao ataque com armas químicas contra civis nesta semana, atribuída ao regime de Bashar al-Assad.

Ataque de armas químicas em Idlib matou ao menos 70 pessoas, muitas delas crianças.
Ataque de armas químicas em Idlib matou ao menos 70 pessoas, muitas delas crianças. (AFP Photo)

BRUXELAS - O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse nesta sexta-feira que o presidente da Síria, Bashar al-Assad, "tem total responsabilidade" pelos ataques dos Estados Unidos contra uma base aérea na Síria.

"O governo sírio tem total responsabilidade por essa consequência", disse Stoltenberg em comunicado.

"Qualquer uso de armas químicas é inaceitável, não pode ficar sem resposta, e os responsáveis devem ser responsabilizados", disse Stoltenberg, que foi informado com antecedência pelo secretário da Defesa dos EUA que o ataque iria acontecer.

A ação dos Estados Unidos foi represália ao ataque com armas químicas contra civis nesta semana, na primeira agressão direta dos EUA contra o governo do presidente sírio, Bashar al-Assad, em seis anos de guerra civil.

O presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou que as Forças Armadas dessem o passo que seu antecessor Barack Obama nunca deu: atacar diretamente as forças de Assad com bombardeios aéreos em resposta ao ataque de armas químicas em Idlib, que matou ao menos 70 pessoas, muitas delas crianças.

“Até bebês foram cruelmente assassinados por esse ataque selvagem”, acrescentou Trump sobre o ataque de armas químicas de terça-feira, que países ocidentais acreditam ter sido causado pelo Exército de Assad. “Nenhum filho de Deus deveria passar por tanto horror”.

O Exército sírio disse que o ataque dos Estados Unidos matou seis pessoas em sua base aérea perto da cidade de Homs. Os militares chamaram o ataque de “agressão descarada” e disseram que a ação tornou os Estados Unidos um “aliado” de “grupos terroristas”, incluindo o Estado Islâmico.

 

Ataque à Síria na era Trump domina jornais e TVs na Europa

Os principais jornais da Europa trazem no alto de suas páginas na internet e os canais de televisão repetem ao longo da programação esta manhã notícias sobre o bombardeio feito pelos Estados Unidos contra uma base aérea na Síria, na noite desta quinta-feira. A ação é uma resposta ao ataque químico que matou cerca de 70 pessoas no começo da semana e que criou grande comoção por causa do elevado número de crianças entre as vítimas fatais.

Este foi o primeiro movimento bélico da era Donald Trump e é considerada também a primeira ação militar contra o regime do presidente sírio Bashar al-Assad. A empreitada norte-americana ocorreu no início da noite nos Estados Unidos, quando começava a madrugada em muitos países europeus. Mesmo assim, a maior parte dos jornais da região conseguiu atualizar informações antes do fechamento.

O jornal britânico The Guardian traz que o Kremlin considerou a atuação como um "golpe significativo" para as relações dos Estados Unidos com a Rússia. Também no Reino Unido, o econômico Financial Times comentou que a declaração de Trump explicando a autorização da ação militar ocorreu num resort na Flórida, onde ele se encontra pela primeira vez com o presidente da China, Xi Jinping. Para Trump, a Síria foi a causadora de "um horrível ataque com armas químicas, que matou civis inocentes".

Na França, o Le Monde destacou que a Rússia considerou a empreitada norte-americana uma "agressão" contra um "Estado soberano" e relata que as reações internacionais se seguem umas às outras, entre "apoio total" de aliados dos EUA e condenação de seus oponentes. A manchete do também francês Le Figaro diz que o "Drama Sírio traz tensão à relação Trump-Putin" e que Moscou solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) para tratar do tema.

Em plena campanha para a eleição presidencial no país, com o primeiro turno previsto para o próximo dia 23, a Frente Nacional se disse "desapontada" com Trump, conforme os dois jornais principais da França. O partido é o da candidata de extrema-direita, Marine Le Pen, que é dada como certa para concorrer ao segundo turno das eleições, marcado para 7 de maio.

A ação coordenada pelos Estados Unidos foi apontada pelo jornal espanhol El País como uma "mudança radical" na política de Washington sobre a Síria e abre um possível conflito direto com Moscou, o principal defensor do regime. O periódico enfatiza que a atuação militar também envia um recado ao Irã e à Coreia do Norte: os Estados Unidos, com Trump na liderança, estão prontos para disparar "contra aqueles que cruzam suas linhas vermelhas".

Na televisão estatal britânica BBC, as imagens do presidente norte-americano não saem da tela, com atualizações e repercussões sobre o assunto. O canal informa que o governo sírio considerou o ataque uma "agressão flagrante" ao país. À Sky News, o secretário de defesa do reino Unido, Michael Fallon, disse esta manhã que é preciso fazer um grande mudança na Síria, da qual "Assad não terá nenhum papel". O canal Euronews intercala imagens fortes de vítimas sendo resgatadas e recebendo atendimento por causa do ataque no começo da semana com o pronunciamento de Trump após a ação militar promovida de quinta para sexta-feira. (AE).


Reuters



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