Religião

30/05/2017 | domtotal.com

Pontifício Colégio Português distinguido pelo apoio a judeus durante II Guerra Mundial

Instituição vai receber o título de «Casa da Vida» esta terça-feira.

O Pontifício Colégio Português de Roma vai receber esta terça-feira o título de ‘Casa da Vida’, numa iniciativa da Fundação Raoul Wallenberg pelo acolhimento de judeus e outras pessoas perseguidas pelo regime nazi na II Guerra Mundial.

Em declarações à Agência ECCLESIA, o reitor da instituição assinala que a distinção ‘Casa da vida’ é atribuída a nível institucional depois de o padre Joaquim Carreira, vice-reitor e reitor do Pontifício Colégio Português entre 1940 e 1954, ter sido considerado ‘Justo entre as Nações’ a título póstumo, em 2010, pelo Memorial do Holocausto.

O padre José Fernando Caldas recorda que, durante a II Guerra Mundial, “houve um apelo do Papa Pio XII” a várias congregações religiosas para acolherem aqueles que estavam a ser perseguidos, um repto acolhido pelo Pontifício Colégio Português de Roma.

“O monsenhor Joaquim Carreira, que era o reitor na época, acolheu no período de 1943-44 pelo menos 40 pessoas, provavelmente mais de 50 pessoas, judeus mas também todos os perseguidos pelo seu pensamento político”, contextualiza.

Entre as pessoas escondidas, entre setembro de 1943 e junho de 1944, para além de judeus, havia socialistas, resistentes antifascistas e outros cidadãos italianos que se opunham ao nazi-fascismo.

O atual reitor do Pontifício Colégio Português de Roma afirma que o risco em esconder pessoas perseguidas pelo regime nazi não era apenas pessoal, do padre Joaquim Carreira, mas de todos que viviam na instituição.

“Toda a gente continuou a fazer uma vida normal sabendo que tinha na casa refugiados. Quando passasse a SS na estrada tinham de apagar as luzes ou os refugiados tinham de se fazer passar por padres, empregados”, desenvolveu.

O Pontifício Colégio Português de Roma vai receber esta terça-feira o título ‘Casa da Vida’ numa cerimónia com a presença de representantes da Fundação Wallenberg, do presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, o cardeal-patriarca de Lisboa D. Manuel Clemente.

O padre José Fernando Caldas destaca a presença de Luigi Priolo, um dos refugiados escondidos no colégio “desde dezembro de 43 até junho 44”, que foi secretário-geral do senado de Itália e tem memória dos momentos que viveu na instituição.

A cerimónia conta também com a participação do jornalista português António Marujo, que escreveu o livro ‘A Lista do Padre Carreira’.

A Fundação Raoul Wallenberg foi ciada por Baruch Baruch Tenembaum, diplomata sueco que salvou um grande número de pessoas na II Guerra Mundial, e tem como propósito preservar a memória de pessoas e instituições que acolheram pessoas perseguidas e “infundir nas novas gerações o espírito de solidariedade e fraternidade”.

O Pontifício Colégio Português, em Roma, foi criado pela Carta apostólica ‘Rei catholicae apud lusitanos’, do Papa Leão XIII, para alojar os padres enviados para Roma pelos seus bispos ou superiores, com o objetivo de aprofundarem os estudos nas várias áreas do saber humano e teológico.


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