Religião

22/03/2018 | domtotal.com

O ataque do Patriarca Cirilo de Moscou contra o casamento igualitário.

Nova afronta do Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa acontece no meio da crescente repressão contra os homossexuais no espaço russo.

Em 4 de dezembro de 2016: Patriarca Cirilo de Moscou e todas as Rússias, durante a consagração da catedral cristã ortodoxa da Ssma. Trindade em Paris.
Em 4 de dezembro de 2016: Patriarca Cirilo de Moscou e todas as Rússias, durante a consagração da catedral cristã ortodoxa da Ssma. Trindade em Paris. (Corinne Simon / CIRIC)

Em 2013, o Patriarca Cirilo de Moscou qualificou o projeto de lei sobre o casamento gay na França como um "sinal do apocalipse". Quatro anos mais tarde, quando Vladimir Putin começou sua visita a Paris, o chefe da Igreja Ortodoxa Russa em voz alta reafirmou o seu apoio para aqueles que se manifestam contrariamente ao projeto.

Eles agiram "pelas mesmas razões de quando se levantaram contra as leis fascistas e pró-apartheid", apontou sem sombra de dúvida durante uma visita pastoral ao Quirguistão. "Quando a legislação rasga a ligação com a moralidade, ela deixa de ser uma lei aceitável para o povo, ela gera protestos".

Aos olhos do patriarca russo, "os eventos organizados na França por milhares de crentes, e que foram dispersados pela polícia enquanto protestavam, era contra o fato de que apenas quatro ou cinco do Parlamento decidirem um destino horrível, forçando-os a viver conforme novas leis constrangedoras, esquecendo o que é um pai e uma mãe, para dizer agora ‘pai número um’ e ‘pai número dois’".

A rejeição da homossexualidade permanece em toda a sociedade.

Esta nova afronta do Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa acontece no meio da crescente repressão contra os homossexuais no espaço russo, particularmente na Chechênia, onde, de acordo com o jornal russo Novaïa Gazeta, as autoridades prenderam uma centena de pessoas gays e incitava suas famílias que os matassem para "lavar sua honra".

Ainda de acordo com o jornal, duas pessoas foram mortas pela sua relação de proximidade e uma terceira morreu em atos de tortura.

A rejeição da homossexualidade é um dos marcadores mais recorrentes na retórica da Igreja Ortodoxa Russa, em particular, para afirmar a sua superioridade moral sobre o Ocidente que considera como "decadente". Esta mensagem se espalhou em todos os setores do clero e uma grande parte da população. Tal discurso é regularmente levado ao extremo pelo Patriarca Cirilo.

Uma série de tentações

"Nestes tempos, enfrentamos uma série de tentações, quando, em muitos países, a escolha em favor do pecado é autorizada e justificada pela lei, enquanto são reprimidos aqueles que agem de acordo com a sua consciência, aqueles que lutam contra as leis impostas pelas minorias" afirmou o Patriarca russo em uma homilia no verão de 2013, referindo-se em particular à violência policial contra "Manif pour tous"1 na França.

Isto é "um sintoma alarmante do Apocalipse e devemos fazer todo o possível para evitar que na Santa Rússia, o pecado seja aprovado por uma lei" ainda expressou o Patriarca, acrescentando que permitindo tais uniões, o povo se embarca "no caminho da autodestruição".

Esta interferência na política francesa, quando o chefe do Kremlin anda pelos corredores de Versalhes, não aconteceu nada ao acaso. Foi em Paris, onde o Cirilo inaugurou em dezembro passado uma nova catedral, devido aos muitos descendentes dos chamados russos brancos2 que fugiram da Revolução Bolchevique de 1917, assim como à numerosa presença de imigração russa recente formando uma significativa comunidade Ortodoxa Russa.

Uma vitrine para a Ortodoxia russa no Ocidente, totalmente financiada pelo Estado russo. Vladimir Putin também se esquivou na segunda-feira, pouco depois de assinar com Emmanuel Macron o tratado sobre a "verdade plena" referente à repressão dos homossexuais na Chechênia.

 

[1] Movimento político que age em vários países da Europa contra o matrimônio homossexual, a homoparentalidade e o ensino da teoria de gênero. Também defende a ideia da família tradicional.

[2] Partido político que apoiava a monarquia e fazia oposição ao partido comunista (vermelho) durante a revolução Bolchevique de 1917.


La Croix.

Tradução: Ramón Lara



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